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13 de Dezembro de 2018

Marketing Jurídico Digital

Um dos pilares do Empreendedorismo Jurídico

Camilla Veloso, Advogado
Publicado por Camilla Veloso
há 17 dias

A era da tecnologia chegou há algum tempo para a sociedade moderna e esse cenário vem trazendo várias consequências diretas ao cotidiano de todo indivíduo, uma delas é a velocidade que as informações circulam pela rede, situação jamais imaginada no início do século XXI, em que, para ter acesso à internet, utilizava-se a rede pública de telefonia que estabelecia uma conexão com um determinado provedor de acesso e isso através de um número de telefone, a famosa internet discada. Além da complexidade e dificuldade, apenas uma pequena parcela da população tinha a possibilidade e condição financeira de obter o que era quase uma regalia.

Assim, o que antes era compartilhado apenas entre familiares e amigos, hoje, pode vir a alcançar qualquer pessoa no mundo que tenha em mãos um aparelho smartphone e acesso à internet. Nesse sentido, surgiu a necessidade de partilhar de modo privado ou público desde os acontecimentos mais importantes aos mais banais do diaadia.

Como o Direito é ciência que deve ser dinâmica, de modo a acompanhar toda e qualquer evolução social para não tornar-se obsoleto, foram necessárias a adequação e a harmonização das normas - dentro dos limites constitucionais - de acordo com o progresso e avanço das tecnologias, ao passo que, as novas necessidades criadas a partir desse desenvolvimento devem ter uma solução normativa respectiva ligada a elas para assegurar a segurança jurídica das relações humanas e jurisdicionais.

Junto dessa nova maneira de a ciência jurídica se portar ante as evoluções tecnológicas e culturais, está havendo um tímido, mas notável, avanço do modelo mental da classe de advogados e demais operadores do Direito, que faz com que o padrão da advocacia engessada da década de 80 vá perdendo as suas forças.

A forma de prospecção de clientela usual, restrita à entrega de cartões, abre espaço para uma nova visão de mundo e de postura quando o empreendedorismo jurídico encontra raízes em mentes inovadoras e sem medo de quebrar paradigmas.

O empreendedorismo jurídico nada mais é que enxergar o mercado de trabalho e as novas necessidades advindas dele como um oceano azul, ou seja, um mundo de possibilidades dentro da profissão. Não há no mercado somente as áreas de atuação mais populares, além de conhecer, estudar o prospecto é uma boa forma de descobrir novos setores a serem explorados.

O modelo mental que está em voga é aquele que entende que uma atuação pautada na ética, na integridade, na empatia e no sucesso do cliente traz o verdadeiro triunfo, mas não meramente porque é bonito de ser dito ou replicado, e sim porque o ser humano encontra, dentro da sua essência humana, a evolução e a felicidade. É justamente nessa perspectiva que a mente empreendedora atua: modernizando, nadando contra a maré, indo no sentido oposto do que a grande massa e enxergando possibilidades aonde a maioria encontra obstáculos.

Muito se fala sobre concorrência e quantidade de advogados no Brasil, que chega, de acordo com o Blog Exame da Ordem, a mais de um milhão, mas poucos fazem uma análise objetiva da situação. Apesar de ser um grande número, muitos desses advogados não atuam ou simplesmente estão focados em prestar concurso público, ou seja, diminui bastante a ideia de que o mercado está saturado.

O marketing jurídico digital traz folego e luz à jovem advocacia, que entra no mercado com uma ampla disputa dos que estão ativos, em virtude de haver grandes nomes e pela profissão ter forte viés político. Além de ser conveniente também aos veteranos, que não enxergam o progresso digital como um empecilho e desejam se reciclar.

A dúvida que pode surgir é acerca da forma de executar o marketing jurídico digital, já que o Novo Código de Ética e Disciplina da OAB traz vedações no tocante ao mercantilismo da advocacia, aprofundando o assunto no capítulo VII, nos arts. 39 a 47, que trata da publicidade profissional. Ainda não há normas mais específicas que abordem o marketing nas redes sociais, mas as já existentes dão norte para interpretar os impedimentos e permissões. Insta salientar que a captação de clientela é vedada pelo CED da OAB, portanto, a intenção de utilizar-se do marketing jurídico digital, jamais deve ter esse fim específico.

Para iniciar o marketing jurídico digital é necessário ter em mente o objetivo de tornar-se autoridade. A construção da autoridade, dentro dos limites impostos, começa quando se escolhe um nicho de atuação e o explora com publicações e artigos de forma consistente e continuada. A partir do momento que se consegue certo alcance e reconhecimento, você se torna autoridade daquela área que escolheu atuar. Para isso é ideal que, pelo menos na rede social que se escolheu para publicar, a especialidade e a comunicação sejam extremamente claras. A especialidade faz com que o seu nome seja associado à determinada área te tornando referência e a clareza é um pressuposto para que a mensagem passada, através da comunicação, atinja o objetivo ao qual ela foi pensada.

Importante é limitar-se à produção de um conteúdo meramente informativo, de forma a não criar tribulações institucionais ou com a classe.

Além de publicações, quem deseja aplicar o marketing jurídico digital, deve se ater às novas tecnologias e aplicá-las de forma efetiva a sua rotina laboral. Existem softwares de organização de carteira de clientes e processos. Há também facilitações que rompem as barreiras geográficas proporcionadas pela evolução da tecnologia, como reuniões a distância através de aplicativos de chamada de vídeo com clientes ou parceiros que tem alguma limitação de locomoção.

Outro ponto importante é não criar um personagem para ser apresentado, essa postura faz parte de um modelo arcaico e não eficiente. Os colegas de profissão e os clientes procuram identificação e, normalmente, não se interessam por algo que parece estar distante demais das suas realidades. A personalidade deve ser única, podendo ser adequável para cada ocasião e tipo de pessoa a quem se dirige.

Do mesmo modo, é essencial se ter em mente que o maior marketing está na forma de atuação. O empreendedorismo jurídico traz em seu bojo uma visão de mundo e mentalidades que se diferem totalmente do estigma que a advocacia tem há décadas. O advogado não pode mais ser visto como uma figura ardilosa, antiética, trapaceira ou dissimulada, ao contrário disso, é necessário limpar o nome da advocacia com uma atuação valorosa, brilhante e competente.

O marketing jurídico digital é um dos pilares do empreendedorismo e, não somente ele, mas os demais pilares devem ser observados e aplicados conjuntamente aos modelos de negócio do futuro. Para um bom marketing, focar no problema do prospecto e na solução respectiva que se pode oferecer, de uma forma criativa e inovadora, com uma postura idônea e empática pode ser trilhar um caminho de sucesso. Como pontua Peter Drucker, a meta do marketing é conhecer e entender o consumidor tão bem, de forma que o produto ou serviço se molde a ele e se venda sozinho.

6 Comentários

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Completo e muito sábio! Amei esse artigo. Ansiosa para o próximo! Parabéns!!! continuar lendo

Excelente artigo! Gostei muito das dicas e irei usá-las ao meu favor. continuar lendo

Muito bom o artigo! Dicas valiosíssima, parabéns! continuar lendo

Artigo Maravilhoso. Muito enriquecedora a sua leitura. continuar lendo